Há casais onde o carinho e a ternura são uma constante.
Tenham a idade que tiverem, trocam carícias, mimo, atenção e tudo o mais, que de ternurento houver nesta vida.
Mas depois também temos os outros casais que se encontram do outro lado da montanha!! Aqueles que se limitam a dar uns escassos passos juntos, mas que nem chegam a virar a esquina, e certamente não o farão de mão dada, porque isso é coisa que atrapalha, que dá comichão, que dá alergia, enfim que dá qualquer coisa! Pode não saber-se o quê, mas lá que dá qualquer coisa, dá!!
Ver um casal de mais idade de mão dada, a serem carinhosos um com o outro, é qualquer assim.. de mágico!! Enche a alma a qualquer um!
Olha-se e pensa-se "também quero ser assim quando lá chegar..."
E não, não é coisa de menina, não é romantismo, nem é coisa só do sexo feminino, porque já abordei este assunto várias vezes, inclusive com o sexo masculino, e a opinião é a mesma!
Mais, o assunto já veio até mim, sem eu tocar nele, portanto, arrisco-me a dizer que a opinião é geral!
Mas depois também acaba logo com o delírio: "achas que isto é possível nos nossos tempos?? Nem pensar! Esquece lá isso!"
E pronto, se o homem havia começado a sonhar com um "balão voador", pelos céus do romantismo, eis que nem chega a sair do chão! Temos muita pena, mas não há gás!!
Pois se calhar não é possível porque "aqueles" casais seguem um só rumo, batalham por uma só felicidade, que é conjunta, utilizam o pronome possessivo "nosso", e não "meu", fazem perguntas no plural como "vamos à praia?", "vamos passear?", enquanto que nos dias que correm, temos preciosidades tão bonitas como "Eu vou à praia. Vens? Não vens? Eu vou." "O que é que vais fazer hoje? Tu não sei, mas Eu vou às compras!"
Amigo não empata amigo! Cada um na sua vida, e quando der para se estar junto, está-se! Qual é o drama??
Além desta coisa tão bonita que é o egoísmo (e atenção que não se trata de crítica, mas tão só constatação!), outra lindeza da modernidade, é o imediato, o já, o agora, que caracterizam estes tempos do século XXI!
É tudo rápido, tudo a fugir, sem delicadeza, sem toque, sem sensibilidade!!
Perguntas profundas e tão encantadoras como "Então?! Não queres curtir??"
Tau!!! Mai nada!! Pão pão, queijo queijo!! Queres queres, não queres desampara a loja, que já me estás a fazer perder muito tempo!!
Não é que o directo não seja bom, mas se calhar não é preciso TÃO directo!! Se calhar assim umas gramas de delicadeza, de tacto, não sei, assim, um banho maria qualquer, e ninguém se chateava!
Esta coisa bruta, quase ali a roçar o homem das cavernas não deixa muito a desejar...!
Passámos do Gentleman dos tempos do Eça, para uma coisinha assim...agressiva!!
E agora quase que consigo ouvir os gritos desse lado "ehhh exagerada!! Eça de Queirós e século XXI tem tudo a ver"!
Pois não tem! Mas também não houve assim um meio termo, entre os bilhetinhos de amor, e esta coisinha grotesca que temos agora! Assim uma coisa a meio caminho entre o Algarve e Lisboa...ali para os lados da Mimosa, não???
Mas pronto, não se pretendendo tecer críticas sem conhecimento de causa, admite-se sempre a existência de um código deontológico masculino, que imponha abordagens tão profundas como estas!! Mas se me permitem a ousadia, convoquem uma assembleia extraordinária, um comício, uma revolução, mas peçam uma revisão da coisa, porque o sucesso desta postura, é uma miragem no horizonte!!
Dessem-se a escolher entre os tempos dos saiotes e dos coches, e estas maravilhas que vamos ouvindo, a minha escolha não teria um segundo de hesitação!
Mas pronto, parece que me saiu a fava da modernidade...!
Assim sendo, resta-me trabalhar nas respostas a dar, aos gritos de caverna que vou ouvindo!
Mas atenção que eu não perdi a esperança!! Nunca se sabe, quando num futuro, que se espera
Marisa Fernandes

Boa Marisa :)
ResponderEliminarE boa sorte, tanto no novo desafio literário quanto na demanda pelo "sensitive caveman". kiss